Hoje estive no colégio para dar duas aulas ao 2º colegial B, havia escolhido, um dia antes, falar sobre Machado de Assis, contar a biografia dele e ler o Conto de Escola. Minha intenção era aproximar os alunos desse escritor fantástico, mostrando que, embora fizesse 102 anos de sua morte, ele continuava mais atual do que nunca.
O conto girava sobre o comportamento de alunos em 1840, e com a maestria típica de Machado pude ler como já naquela época alunos matavam aula, aprontavam em sala e sofriam castigos físicos (Palmatória), quando descobertos.
A leitura do conto não visava nenhum tipo de avaliação, apenas trazer ao repertório dos jovens um material de qualidade, tentava eu fazer com que eles adquirissem o gosto pela leitura, ler por prazer e não por obrigação, claro que o tiro saiu pela culatra.
Tirando uma meia dúzia de alunos que existem em todas as salas e que são mais interessados, os demais nem deram bola, qualquer outra coisa parecia ser mais interessante, tiro disso duas singelas conclusões: a primeira que, lamentavelmente só alguns saberão como um livro pode tornar sua vida mais interessante, como ele nos leva a tempos já a muito passados, a futuros improváveis, a outros mundos, não serão apresentados a personagens como Capitu (Machado), a boneca de pano Emília e toda sua turma (Monteiro Lobato), o garoto Raimundo e Pedro Bala (Capitães de Areia de Jorge Amado), Eugênio e Olivia (Olhai os Lírios do Campo de Érico Verissimo), enfim, não poderam dizer um dia que tiveram uma época de sua vida recheada de amigos imortais, a esses poucos interessados todo o meu respeito e admiração.
A segunda conclusão é que cada vez mais me convenço de que o estudo, a escola, os alunos de hoje, vão de mal a pior, a maioria dos alunos não se preocupa com a sua educação, não tem a consciência de que sem ela não a futuro, o Estado não investe o que devia nas escolas, não valoriza seus professores e com isso vai criando uma geração de pessoas sem qualificação, sem cultura, sem conhecimento, tenho medo dos dias que ainda virão.
Gostaria de me fiar na esperança de que nem tudo está perdido, pois aquela meia dúzia que persiste contra todas as agruras e estuda, procura por mais instrução, por saberes variados, esses estarão no topo da pirâmide social e assim, quem sabe, terão a sabedoria de fazer o que homens de hoje não estão fazendo pela educação.
Quem viver verá.
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ResponderExcluirPara despertar esse interesse pela literatura produzida em nosso passado devemos buscar trazer para nossos jovens algo que se relaciona com o que gostam de ver hoje, pense em fazer uma analogia dos sentimento de Capitu, com os de Bella do filme Crepúsculo que não sai da boca dos jovens, faça uma leitura comparativa e leve para eles bem mastigado meeeesmo o quanto são parecidos os dilemas afetivos das personagens, à para então contextualizar a narrativa, época, autor... Sua aula vai ser mais dinâmica e gostosa
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